terça-feira, 29 de julho de 2025
segunda-feira, 28 de julho de 2025
Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
Aquarela do Brasil
Ary Barroso
Brasil
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil (Brasil)
Pra mim (pra mim)
Ó, abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil (Brasil)
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da Lua
Toda canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil (Brasil)
Pra mim (pra mim)
Brasil
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil (Brasil)
Pra mim (pra mim)
Ó, esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil (Brasil)
Oi, estas fontes murmurantes
Oi, onde eu mato a minha sede
E onde a Lua vem brincar
Oi, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil (Brasil)
Pra mim (pra mim)
Questão mobilizadora: essa letra constitui-se numa espécie de “roteiro turístico” do Brasil, com a preocupação de integrar suas diferentes regiões - explique essa assertiva.
domingo, 21 de maio de 2023
PROPOSTA DE INTERPRETAÇÃO DO POEMA "CONTRARIEDADES", DE CESÁRIO VERDE
Por Humberto Silva de Lima (Doutor em Linguística Aplicada – UFRJ)
O poema “Contrariedades”, de Cesário Verde, pode ser considerado um texto argumentativo em que o poeta, na linguagem lírica, propõe que seja revista a ideia do que seja literatura. Mais especificamente: qual tipo de literatura é aceito pela sociedade, envolta por críticos literários que trabalham em diversas mídias (jornais e revistas, por exemplo)?
Se observarmos as primeiras estrofes do poema, poderemos notar um eu-lírico que se mantém intenso frente às produções literárias de sua época, mas ao mesmo tempo distenso a essas produções. Prova disso é que o eu-lírico ama a "acidez" e “os ângulos agudos” – há uma devoção à poesia do mais e à poesia do menos, o que justifica o título do poema, que é a união dos contrários. Pergunta-se até se o poeta convoca a estética barroca no poema em análise.
Na 5ª estrofe, o eu-lírico apresenta outra contrariedade: a das “raivas frias”. A proposta de hipálage aqui reúne a intensidade da raiva diante do comportamento dos críticos literários da época com a frieza que anula qualquer perspectiva de mudança de fato. As “raivas frias” são o inconformismo diante de um determinado status quo, mas que, pela frieza, tal inconformismo desvanece, porque o eu-lírico parece não ver nenhuma perspectiva de mudança.
Nesse âmbito, há a ideia de que o poeta se manifesta pela recusa de escrever nos gêneros prosaicos. O eu-lírico reconhece a possibilidade de fama daqueles que escrevem em prosa, mas ele parece ir na contramão desse pensamento, já que ao mesmo tempo não deseja a fama, mas reclama pela falta de reconhecimento de sua produção lírica – mais uma contrariedade – , situação essa que será mudada muito tempo depois (hoje a poesia de Cesário Verde é reconhecida, se considerarmos autor e eu-lírico como a mesma pessoa).
À época da escrita do poema, o eu-lírico esperançou ter a sua produção poética reconhecida. Nessa esperança, ele não nega a existência de um mundo exterior que também precisa de atenção, como o caso da “secretária” (3ª estrofe) e o da “vizinha” (última estrofe). Isso mostra que o eu-lírico, que reclama pelo reconhecimento, não está alheio às questões do cotidiano, que também são matéria-prima para o seu fazer poético. Daí é que se nota a vontade do poeta: que o discurso da vida também entre em cena na poesia, atitude essa que, pelos críticos da época, não era tão valorizada, ao contrário do que queria o poeta.
Para ler o poema, acesse https://www.citador.pt/poemas/contrariedades-cesario-verde (acesso em 21 de maio de 2023).
quinta-feira, 6 de abril de 2023
ESCRITA TERAPÊUTICA 13.04.23
1. Ainda terei oportunidade de conduzir minha inteligência artificial. Gostaria de viajar não só nas palavras, mas também por meio de uma máquina que me conduzisse para onde eu desejasse estar. Eu tenho uma inteligência natural? Por que ela é artificial? Por que o meu sistema foi desinstalado? Que comandos devo seguir? Se a língua natural já não suporta as agruras de uma gramática escolar, por que estou na escola?
2. Escolher sempre me fez refletir sobre aquilo que estaria abandonando. Posso fazer duas coisas ao mesmo tempo? A minha ubiquidade ainda não chegou, ainda não sou eterno. Ser imortal em uma academia não me dá um sentido marcante, somente palavras enfeitadas, dignas de uma literariedade questionável. A mente ultrapassa o devir sintático, mas esse devir não é sintático. É louco, é estranho, é plural.
3. Meus pais gostariam que eu passasse a limpo a minha vida.
4. Não consigo me ver fazendo trabalhos em um hospital. E um lugar de repouso, de tranquilidade. Qualquer coisa que me aconteça, estarão ali todos os profissionais para me darem medicamentos literários. E o que é literatura nesse contexto? Será que as palavras poderão ser condensadas em potes, seringas ou caixas? É claro que sim! Depende do mundo que você cria, que eu crio, que (n)a interação cria.



