quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Between dialectal diversity and the linguistic bond: why value the standard norm?

 By Humberto Silva de Lima

The Portuguese language is a living, dynamic, and pluralistic organism. Spread across various continents and experienced within countless sociocultural realities, it manifests through a vast wealth of regional, social, and informal variants. Nevertheless, a debate frequently arises regarding the tension between accepting these linguistic variations and maintaining a standard norm. While it is essential to combat linguistic prejudice and recognize the legitimacy of popular forms of speech, valuing the so-called standard model remains indispensable for ensuring social cohesion, equal opportunity, and efficiency in global communication.

First and foremost, the standard language serves as a unifying common code. In a country of continental proportions like Brazil — and within a global Lusophone community spanning Europe, Africa, Asia, and the Americas —, dialectal variants can exhibit marked differences in vocabulary, syntax, and pronunciation. Without a cultivated reference point to act as a bridge between these diverse manifestations, there is a risk of fragmenting communication and hindering mutual understanding. The cultivated standard (which, in my view, should be the standard language in dialogue with the variety used by educated speakers) thus functions as an axis of stability, preserving linguistic identity and ensuring that literary, legal, and scientific texts remain intelligible to all speakers of the language.

Furthermore, mastery of the standard variety is a decisive instrument for democratization and social inclusion. Within the current socioeconomic structure, a command of normative grammar is required for academic examinations, in the labor market, and within spheres of public and institutional debate. Denying individuals access to — and rigorous instruction in — the standard norm, under the pretext of respecting local variants, paradoxically serves to perpetuate exclusion. Valuing the formal model within the school environment does not mean negating a student’s everyday speech; rather, it ensures they acquire the tools necessary to occupy positions of power and decision-making.

On the other hand, valuing the standard norm should not be conflated with linguistic prejudice. Modern linguistics demonstrates that there are no variants that are inherently "right" or "wrong"; instead, they are either appropriate or inappropriate for a given communicative context. The great contemporary challenge lies in promoting an additive approach to language education — one in which speakers come to understand the richness of their native dialect while simultaneously mastering the standard, educated norm, enabling them to employ it whenever the situation demands.

In short, the tension between local variants and the standard norm should not be viewed as a zero-sum game. While linguistic diversity enriches culture and reflects the history of a people, the standard norm serves as a structural link for communication and a vehicle for social mobility. Preserving and valuing the educated standard of the Portuguese language means safeguarding a shared heritage and ensuring that all its speakers possess a voice and the reach to be heard in a globalized world.


Apontamentos sobre a variação linguística na língua inglesa

Por Humberto Silva de Lima

Do ponto de vista da ortografia, o inglês britânico e o americano apresentam diferenças significativas. Por exemplo, no uso do s e do z em palavras como "organization" (forma americana) e "organisation" (forma britânica) e da forma regular do "past tense" (tempo passado) de verbos como "to burn" e "to learn", que os britânicos grafam "burnt" e "learnt", respectivamente.

Uma diferença interessante em relação à gramática pode ser verificada no que diz respeito ao uso do "simple past". Geralmente, o "simple past" é usado para se referir a ações ou situações no passado. Temos esse caso em: "Mary went to school last week". No entanto, na variedade americana do inglês, utiliza-se o "simple past" também para dar novas informações ou para anunciar um evento recente.

Veja que em "I lost my key. Can you help me to look for it?", por exemplo, a perda da chave é uma informação nova que na variedade britânica do inglês seria expressa por meio do "present perfect". Assim, no inglês britânico, teríamos: "I've lost my key. Can you help me to look for it?".

Na variedade americana, nota-se, também, o uso de advérbios como "just" e "already", geralmente advérbios utilizados com o "present perfect" na variedade britânica. Assim, os americanos dizem "I'm not thirsty. I just had a glass of water". Ou: "I already did my homework". Já os britânicos dizem, "I'm not thirsty. I've just had a glass of water". Ou: "I've already done my homework".

Os americanos também usam o "simple past" com o advérbio "yet", quando os britânicos o utilizam esse advérbio com o "present perfect". Nesse sentido, temos como exemplo de como os americanos usam o "yet" aliado com o "simple past" em: "I didn't tell her about my love yet". Já os britânicos dizem: "I haven't told her about my love yet".

Entre a diversidade dialetal e o elo do idioma: por que valorizar a norma padrão?

Por Humberto Silva de Lima

A língua portuguesa é um organismo vivo, dinâmico e plural. Espalhada por diversos continentes e vivenciada em inúmeras realidades socioculturais, ela se manifesta por meio de uma vasta riqueza de variantes regionais, sociais e informais. Contudo, frequentemente surge o debate sobre a tensão entre a aceitação dessas variações linguísticas e a manutenção da norma padrão. Embora seja fundamental combater o preconceito linguístico e reconhecer a legitimidade das falares populares, a valorização do modelo dito standard se mostra indispensável para garantir a coesão social, a igualdade de oportunidades e a eficiência na comunicação global.

Em primeiro lugar, a norma padrão desempenha o papel de um código comum unificador. Em um país de dimensões continentais como o Brasil — e em uma comunidade lusófona global espalhada pela Europa, África, Ásia e Américas —, as variantes dialetais podem apresentar diferenças acentuadas no vocabulário, na sintaxe e na pronúncia. Sem uma referência culta que sirva de ponte entre essas diversas manifestações, corre-se o risco de fragmentar a comunicação e dificultar o entendimento mútuo. A norma culta (no meu entender, deveria ser a norma padrão em diálogo com a variante dos falantes cultos) funciona, portanto, como um eixo de estabilidade que preserva a identidade linguística e permite que textos literários, jurídicos e científicos sejam compreendidos por todos os falantes do idioma.

Além disso, o domínio da variedade padrão é um instrumento decisivo de democratização e inclusão social. Na estrutura socioeconômica atual, o domínio da gramática normativa é exigido em exames acadêmicos, no mercado de trabalho e nas esferas de debate público e institucional. Negar aos indivíduos o acesso e o aprendizado rigoroso da norma padrão sob o pretexto de respeitar as variantes locais é, paradoxalmente, perpetuar a exclusão. Valorizar o modelo formal no ambiente escolar não significa anular a fala cotidiana do estudante, mas sim fazer com que ele aprenda as ferramentas necessárias para ocupar espaços de poder e decisão.

Por outro lado, valorizar a norma padrão não deve ser confundido com a prática do preconceito linguístico. A linguística moderna demonstra que não existem variantes inerentemente "certas" ou "erradas", mas sim adequadas ou inadequadas ao contexto comunicativo. O grande desafio contemporâneo consiste em promover um ensino de língua de caráter aditivo, no qual o falante compreenda a riqueza de seu dialeto de origem e, simultaneamente, domine a norma culta ou padrão para utilizá-la quando a situação assim o exigir. 

Em suma, a luta entre as variantes e a norma padrão não deve ser vista como um jogo de soma zero. Enquanto a diversidade linguística enriquece a cultura e reflete a história de um povo, a norma padrão atua como o elo estruturante da comunicação e como um vetor de mobilidade social. Preservar e valorizar o padrão culto da língua portuguesa é garantir a integridade de um patrimônio comum e assegurar que todos os seus falantes tenham voz e alcance em um mundo globalizado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

READING 01 - LET'S PRACTICE

 Clique na imagem abaixo e faça a atividade no seu caderno (Anytime, p.171). 



ADJETIVOS E ADVÉRBIOS EM INGLÊS

 Clique na imagem abaixo e responda no seu caderno (Anytime, p.170). 



sábado, 31 de outubro de 2026

ACD E FIGURAS DE LINGUAGEM

 A análise crítica do discurso (ACD) compreende as figuras de linguagem não como meros recursos estéticos ou ornamentos estilísticos da fala, mas como estratégias linguístico-discursivas carregadas de intencionalidade ideológica e poder. Ao operarem na seleção e na combinação das palavras — como na naturalização de desigualdades por meio de metáforas, no apagamento de responsabilidades via eufemismos ou na amplificação dramática de consensos pela hipérbole —, as figuras moldam ativamente a cognição social e constroem hegemonias. Dessa forma, a ACD desvela como o tropo figurativo atua na legitimação de estruturas de dominação, transformando visões de mundo contingentes e parciais em verdades aparentemente neutras, universais e de "senso comum".

Veja algumas figuras de linguagem (clique na imagem abaixo - fonte: Professor Jotta Rocha).



quinta-feira, 22 de outubro de 2026

PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO MIDIÁTICA - CRIAÇÃO DE SINOPSES (NARRATIVAS EM GERAL)

 No âmbito da produção e circulação midiática, a transposição do método de Paulo Freire para a criação de sinopses de novelas, romances ou filmes ressignifica o conceito de palavras geradoras como matrizes narrativas e temáticas enraizadas nas tensões socioculturais do público espectador. Em diálogo com a teoria de Mikhail Bakhtin, a palavra geradora atua na sinopse não apenas como ponto de partida estético, mas como um elemento profundamente polifônico e dialógico, no qual o enredo é concebido para encenar o embate entre múltiplos discursos, vozes e valorações ideológicas que já circulam na arena social. Paralelamente, sob a ótica da Análise Crítica do Discurso, de Norman Fairclough, essa metodologia orienta a produção midiática a desnaturalizar as práticas discursivas hegemônicas, transformando a sinopse em uma ferramenta de intervenção cultural que mapeia como as relações de poder e as desigualdades do cotidiano são representadas e reproduzidas na mídia. Dessa forma, ao ancorar a pré-produção audiovisual ou literária em palavras gestadas na própria realidade popular, o ato de narrar transcende o mero entretenimento para se consolidar como um processo dialógico de conscientização e ressignificação crítica do circuito de consumo midiático.

Vamos às produções de alunos do 3º ano do Ensino Médio (Colégio Estadual Brasil):