terça-feira, 24 de novembro de 2020

MEMÓRIAS DE UMA NOVELA E CONGÊNERES / EMPLACADAS POÉTICAS (OBRAS (IN)COMPLETAS)

 Segue o link de acesso às obras Memórias de uma novela e congêneres e Emplacadas Poéticas: 

PRODUÇÕES LITERÁRIAS

Clique nesses títulos e desfrute as sendas da literatura. 

sábado, 21 de novembro de 2020

Poemas? Tudo se questiona, porque tudo é arte.

 Meus poemas produzidos durante a pandemia. 

Datas: 20 de novembro de 2020 e 21 de novembro de 2020. 

Todos os direitos reservados. 





A literatura é um remédio: 

Vamos ao poema "Para fazer um poema dadaísta", de Tristan Tzara. Com esse poema "molde", fiz o meu usando potes coloridos e sorteei palavras avulsas. Fiz algumas pequenas modificações na composição do meu poema dadaísta. 

Para fazer um poema dadaísta

Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que
você deseja darão seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo
e meta-as num saco.

Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o
outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que
elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de
uma sensibilidade graciosa,
ainda que incompreendido do público.

Tristan Tzara. In: Gilberto Mendonça Telles. Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro


Outro poema dadaísta. Mas esse merece uma pequena atenção didática. 
Vamos supor que esse poema seja objeto de análise em uma prova da Educação Básica. Tomando como base a diferença entre morfemas lexicais, morfemas gramaticais e outros elementos linguísticos, como esse poema ressignifica a proposta de Tristan Tzara? 


E agora vamos ao meu diário. Não o transcreverei como um todo, mas só a parte em que me considero vivo neste mundo. 

Hoje acordei pensando no meu pote chamado "Artes". Eu gosto de escrever em papéis e colocá-los em potes organizados. Parece que a minha vida, que para mim é hermética, é organizada em moldes, etiquetas, caixinhas ou em simples potes (material de pesquisa, estudos diversos ou produções artísticas). Mas eu quero falar dos meus poemas nada convencionais que venho escrevendo e guardando nesse pote de "Artes". Eu os escrevo e os leio. Penso. Reflito. Esqueço da vida. Como dizia Clarice Lispector, a gente vive quando produz. Agora eu não me considero morto de corpo e alma. A arte me devolveu a vida, graças a Deus. Mas eu queria ser lido, debatido, confrontado. Escolho as melhores artes e ponho em algum lugar desse mundo virtual. A arte me dá voz, já que fui calado pela outra vida. Talvez essa seja a oportunidade que me ensinou a psicóloga. E esse fluxo de pensamento é o que me faz feliz e vivo, porque eu vivo a arte de mim mesmo. 

Estes poemas estavam perdidos. A vida pandêmica os encontrou: 

Um vídeo que gravei sobre "Memórias de uma novela e congêneres" em 2018: 


Espero que a arte toque o coração de vocês, hoje e sempre!







quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Brincadeiras simples na pandemia

 Nem só de Internet vive o homem, não é verdade? Que tal pensarmos em uma brincadeira simples e divertida para medir quem tem mais sorte? 

Tenha um dado, uma roleta com marcações de duas cores verdes, duas azuis, uma amarela e uma vermelha. 

Imprima o molde da cartela e assista ao vídeo no meu canal! Divirta-se!

Esteja à vontade para mudar as regras.



Acompanhe o vídeo: 

Registrado em 19 de novembro de 2020. 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Programa "Língua em questão" - concordância verbal.

 Por que em alguns casos flexionamos o verbo e em outros não? É o que vamos conferir no programa de hoje!


sábado, 15 de agosto de 2015

80 anos da discoteca de Mário de Andrade

Humberto Silva de Lima 
Rio, 15.08.15



Em 1935, por convite do então prefeito Fábio Prado, Mário de Andrade fundou o Departamento de Cultura de São Paulo. Na ocasião, o escritor pensou numa discoteca pública, que poderia servir para a criação de uma rádio-escola. Infelizmente, a ideia da rádio ficou apenas em caráter de projeto. Todavia, a discoteca se tornou um dos legados duradouros do período de Mário como gestor público. Mais tarde, a discoteca foi batizada como Discoteca Oneyda Alvarenga, nome da discípula e amiga de Mário. Ela administrou a instituição desde o início até se aposentar em 1968. 

A instituição completa este mês 80 anos com a publicação do acervo valioso no portal http://centrocultural.cc/discoteca/) e uma série de eventos, dentre eles a exposição "Discoteca 80: um projeto modernista", com fotos, documentos e gravações.   



Fontes: http://centrocultural.cc/discoteca/, O Globo, 15.08.15

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Um Charlie Hebdo à brasileira


Humberto Silva de Lima
Opinião


É interessante observar toda a atenção dispensada ao atentado contra o jornal Charlie Hebdo, ocorrido no dia 07 deste mês. Trata-se de um acontecimento marcante, que reforça um tipo de discurso apocalíptico que põe medo na Europa e, por empréstimo a juros compulsivos e/ou convulsivos, se levarmos em conta o olhar midiático da TV Globo, no Brasil.

A França tem todas as condições para falar de tudo e de todos, sendo o berço dos reclames igualitários e democráticos, que são muito mal interpretados por aqui. Lá, fala-se desde o Papa até Maomé. Aqui, canais de humor tupiniquim ainda não têm coragem para tal. Na RedeTV (canal 6 do RJ ), o pastor neopentecostal Marcos Feliciano disse que processou o canal de humor no YOUTUBE "Porta dos Fundos" - hoje com um grande sucesso no sistema GLOBOSAT -  porque os artistas desse canal fizeram um humor depreciativo à figura de Jesus e de Maria. O pastor havia proposto ao canal o porquê de não fazer sátira ao profeta Maomé, e eles responderam que não queriam que a casa deles fosse bombardeada. Isso pode ser uma piada, mas pode carregar um discurso do politicamente correto que eles mesmos, os do "Porta dos Fundos", não conseguem vencer, e isso é uma desordem moral para todos os lados: os fingidores / conservadores atualizados à Machado de Assis  - a figura do pastor e de muitos (neo)pentecostais, por exemplo - e  os anarquistas que acham que podem falar de tudo e de todos como bem entendem.


Vivemos um tempo de censura velada por todos os lados. Todos querem rir, mas não querem pagar o preço. Houve até boatos (ou verdades) de que a cúpula do governo federal estaria disposta a cortar as verbas publicitárias em algumas mídias do Grupo Globo de Comunicação. Parece que a ideia de falar mal da Dilma é um péssimo negócio.


É difícil manter na França e, principalmente, no Brasil um estilo Charlie Hebdo. Aqui, acredita-se que as pessoas confundem liberdade com libertinagem. Na verdade, a censura nunca nos abandonou. Nossa democracia é míope. Vivemos o tempo todo com o maldito discurso da hipocrisia sem sabermos disso ou não. Estamos em um "quadrado" que exige ser quebrado em todo o momento, mas fechamos os olhos para isso. Como os tempos sombrios nos esperam, "é preciso ficar atento e forte, não temos tempo de temer a morte".

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Resenha sobre a peça teatral "A alma imoral"



Imagem do Programa 3 a 1 - TV Brasil

Humberto Silva de Lima

Quebra de paradigmas. Talvez essa seja a ideia que possa resumir a peça A Alma Imoral (90 minutos de duração, aproximadamente), uma leitura da atriz Clarice Niskier (2014) sobre a obra homônima do rabino Nilton Bonder (2005). A Alma imoral está em cartaz desde 2006, e isso comprova o fato de que, embora predomine atualmente um gosto massivo pelas comédias ou musicais teatrais, ainda há espaço fértil para o teatro de cunho filosófico.

Em uma das edições do programa “Sem Censura”, transmitido pela TV Brasil, o tema discutido era religião, e, em uma das inquirições, Clarice Niskier, convidada a debater o tema, disse que era judia-budista. No decorrer do programa, a produção recebeu um fax de uma telespectadora judia que contestava a impossibilidade de alguém ser budista e ser também judeu, e, com isso, o rabino Nilton Bonder, que também participava da discussão do tema naquele momento, defendeu a atriz e, ao final do programa, presenteou-a com o livro A Alma Imoral. Clarice se apropriou da obra e decidiu adaptá-la em um monólogo.

Clarice Niskier, em estado de nudez real e, ao mesmo tempo, simbólica, apresenta no monólogo uma relação dialética entre tradição e traição – as tradições trazem o poder das instruções do passado, e as traições trazem o poder das instruções do futuro –, no sentido de não existe tradição sem traição, como também não existe traição sem tradição. Se tomarmos os escritos de Alasdair MacIntyre, filósofo escocês e Professor da Universidade de Notre Dame, defensor da ideia de que vivemos atualmente numa grave desordem moral e de que precisamos, para revertermos essa situação, voltar aos valores tradicionais propostos por Aristóteles em Ética a Nicômaco (séc. IV a.C.), podemos observar, especificamente em diálogo com a obra Depois da Virtude (2001), que essa sociedade moralmente desordenada parece ceder aos desígnios da alma imoral, visto que a função dessa alma “pode levar a grandes riscos, é parte do ato de ‘devoção’ à vida” (BONDER, 2005:49). O que o pensamento de MacIntyre talvez não contemple é o fato de a tradição, que é o compromisso com o passado em meio às demandas do futuro, ser também um campo fértil para a traição. É essa traição que pode ser o ponto máximo da obra de Nilton Bonder e da representação dessa obra por Clarice Niskier, confirmando a ideia de que não há nudez na natureza.

Se a preservação da lei é obtida com o rompimento dela e a ab-rogação da mesma (BONDER, 2005), podemos entender com isso que o questionamento de valores a nós impostos faz parte da continuidade do homem como ser histórico, caso  dialoguemos esse questionamento aos preceitos epistemológicos da Análise do Discurso de linha francesa (PÊCHEUX, 2009; MAINGUENEAU, 2000; CHARAUDEAU, 1983), que se reportam à linguagem como ação, trabalho simbólico, transformação, que se dá com a traição no decorrer das tradições em prol do futuro. A peça representada por Clarice Niskier, arte formada por um encadeamento de ideias e conceitos, apresenta um tipo de linguagem que não é mero instrumento de comunicação, mas sim um ir e vir históricos em prol da preservação do homem como ser histórico, mesmo que isso faça com que a alma desnuda, em conflito com o corpo vestido – isso vem de encontro com as ideias afirmadas por dogmas religiosos, em que a carne (o corpo, erroneamente considerado imoral) milita contra a alma (considerada erroneamente moral) –, venha a transgredir, desobedecer, quebrar paradigmas para que a lei seja cumprida, e isso se verifica no episódio das filhas de Lot – “Nosso pai está velho, e na terra não ficou homem algum a que nos possamos unir, conforme o uso de toda a terra. Embriaguemos nosso pai com vinho, e durmamos com ele; deste modo conceberemos filhos de nosso pai” (BONDER, 2005:73) – e no conceito da terra prometida, “que não sacrifica os filhos e que tem como parte da tradição o rompimento” (NISKIER, 2014).

Em um dado momento do monólogo, a atriz interage com o público: alguém diz uma palavra dita nas falas e, então, Clarice repete o trecho em que se encontra a mesma. Talvez a parte mais impressionante repetida pela atriz seja o trecho em que se encontra o verbo enxergar: “aquele que não enxerga não sabe o que não vê, porque quando sabe o que não vê de alguma forma já está vendo; já o que vê pensa que tudo o que vê é o que é, porque quando sabe que tudo o que vê não é tudo o que é, de alguma forma já está vendo o que não vê” (NISKIER, 2014). Enxergar o que não era visto confirma o quebrar de paradigmas e o revisar de pré-conceitos.

Mais tarde, Nilton Bonder (2011) publicou Segundas Intenções, que é, na opinião do rabino, um reverso da A Alma ImoralSegundas Intenções nos diz que não se deve pautar o comportamento apenas na transgressão, porque há o lado da preservação porque há algum motivo de o ser humano estar vestido. Pela linha da Análise do Discurso, são os “silêncios” do ser humano que são ditos e, em alguma situação da vida, são silenciados. Seria um grande desafio para Clarice Niskier adaptar essa obra para o teatro e mostrar a inexistência da transparência da linguagem e, consequentemente, da transparência do  ser humano, que é um ser histórico espontâneo e, ao mesmo tempo, censor.

Referências bibliográficas
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Brasília: UnB, 1998.
BONDER, Nilton. A Alma Imoral. São Paulo: Rocco Digital, 2005. Acesso em 20 de abril de 2014.
----. Segundas Intenções. São Paulo: Rocco, 2011.
CHARAUDEAU, Patrick. Langage et discours. Paris: Hachette, 1983
MACINTYRE, Alasdair. Depois da virtude. São Paulo: EDUSC, 2001.
MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação. São Paulo: Cortez, 2000.
NISKIER, Clarice. A Alma Imoral. Peça baseada na obra homônima de Nilton Bonder,  Teatro Glauce Rocha, Rio de Janeiro, 18 de abril de 2014.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso. São Paulo: Unicamp, 2009.